Ciência de Dados – Aula 01
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1. Introdução
Olá, querido(a) aluno(a)!
Seja muito bem-vindo(a) a esta aula.
Hoje vamos iniciar nossa jornada pelo universo da Ciência de Dados, uma das áreas mais promissoras e estratégicas da atualidade. Ao longo desta aula, você compreenderá os principais conceitos da área, entenderá por que ela se tornou tão importante para empresas e governos e verá como transformar grandes volumes de dados em informações úteis para apoiar a tomada de decisão.
Mais do que apresentar definições, nosso objetivo é construir uma visão sólida sobre o tema, conectando teoria e prática de forma clara e intuitiva. Assim, ao final da aula, você não apenas saberá o que é Ciência de Dados, mas também compreenderá por que ela é tão relevante e como seus conceitos são aplicados no mundo real.
1.1 Conceitos fundamentais
1.1.1 O que é um dado?
Antes de estudarmos a Ciência de Dados, precisamos compreender um conceito fundamental: o que é um dado? Além disso, é importante conhecer outros termos frequentemente associados a ele, como informação, conhecimento e inteligência.
Nosso primeiro desafio é entender o significado de cada um desses conceitos e, principalmente, como eles se diferenciam.
E por que isso é um desafio? Porque não existe uma definição universalmente aceita. Dependendo da área de estudo, como Ciência da Computação, Administração, Gestão do Conhecimento ou Ciência da Informação, diferentes autores apresentam interpretações próprias. Em muitos casos, as definições são bastante semelhantes, mas há diferenças de enfoque e nem sempre existe consenso.
Apesar dessas divergências, há um ponto em comum: dado, informação, conhecimento e inteligência representam conceitos distintos. Portanto, não devemos utilizar esses termos como sinônimos.
Outro aspecto importante é que a maioria dos autores organiza esses conceitos em uma estrutura hierárquica, na qual cada nível agrega mais contexto, significado e capacidade de apoiar decisões do que o nível anterior. Em outras palavras, um dado, quando interpretado dentro de um contexto, pode se transformar em informação; a informação, quando compreendida e assimilada, gera conhecimento; e o conhecimento, quando aplicado de forma estratégica para resolver problemas e orientar decisões, resulta em inteligência.
Ao longo dos próximos tópicos, estudaremos cada um desses conceitos separadamente para entender como essa transformação ocorre e por que ela é tão importante na Ciência de Dados.
1.1.2 Hierarquia de Ackoff (Modelo DIKW)
Como vimos, é possível organizar os conceitos de dado, informação, conhecimento e sabedoria em uma relação hierárquica, na qual cada nível representa um maior grau de interpretação e abstração.
Um dos modelos mais conhecidos para representar essa evolução é o modelo DIKW, também chamado de Hierarquia DIKW. Embora seja frequentemente associado a Russell Ackoff, vale observar que há discussões na literatura sobre a origem exata do modelo e sobre o quanto a representação em forma de pirâmide pode ser atribuída a ele.
A sigla DIKW corresponde às palavras em inglês Data, Information, Knowledge e Wisdom, que podem ser traduzidas como Dados, Informação, Conhecimento e Sabedoria.
Um detalhe importante é que o modelo utiliza o termo sabedoria (wisdom), e não inteligência. Dependendo do autor e da área de estudo, o nível mais alto da hierarquia pode receber nomes diferentes, como inteligência, sabedoria ou até mesmo tomada de decisão. Esses termos possuem significados relacionados, mas não são necessariamente equivalentes. Por esse motivo, é comum encontrarmos pequenas variações entre os modelos apresentados na literatura.
Essa diversidade de interpretações aumenta à medida que avançamos na hierarquia. O conceito de dado é relativamente objetivo e costuma apresentar poucas divergências entre os autores. Já conceitos como conhecimento, sabedoria e inteligência envolvem aspectos cognitivos, experiência e julgamento humano, tornando mais difícil estabelecer definições universalmente aceitas.
A figura a seguir apresenta a Hierarquia DIKW.

À medida que subimos na hierarquia, aumenta a necessidade de contexto, interpretação e capacidade de raciocínio. Por essa razão, também cresce a dificuldade de automatizar cada nível. Computadores manipulam dados com enorme eficiência e conseguem processar grandes volumes de informação em poucos segundos. Entretanto, transformar essas informações em conhecimento e, principalmente, em sabedoria continua sendo um dos grandes desafios da Inteligência Artificial, pois envolve experiência, contexto, julgamento e tomada de decisão em situações complexas.
1.1.3 Ideias Básicas
Podemos entender os dados como representações brutas de fatos. Isoladamente, eles possuem pouco ou nenhum significado para quem os observa. Por exemplo, os valores 1,80; 1,69; e 1,70 são apenas números. Não sabemos se representam alturas, temperaturas, cotações do dólar ou qualquer outra medida.
Quando esses dados são organizados e interpretados dentro de um contexto, eles passam a constituir uma informação. Assim, os números anteriores podem representar a altura de três pessoas ou a cotação do dólar em três dias consecutivos. Observe que os valores continuam exatamente os mesmos; o que mudou foi o contexto.
Subindo mais um nível chegamos ao conhecimento. Nesse nível, a informação deixa de ser apenas compreendida e passa a ser utilizada para explicar fenômenos, identificar padrões e apoiar decisões. Por exemplo, após analisar milhares de pacientes, pode-se concluir que determinada faixa etária apresenta maior incidência de diabetes. Essa conclusão permite orientar campanhas preventivas e auxiliar profissionais da saúde.
Perceba que esses conceitos são dependentes entre si. A informação nasce da interpretação dos dados, enquanto o conhecimento surge da interpretação e aplicação das informações.
1.1.4 Dados
Na sua prova, diferentes autores podem adotar definições distintas para o conceito de dado. Apesar das diferenças de redação, praticamente todas possuem elementos em comum: dados representam fatos, são registrados por meio de símbolos e, isoladamente, possuem pouco significado.
Algumas definições encontradas na literatura afirmam que dados são medidas utilizadas como base para cálculos; símbolos que representam objetos, eventos ou conceitos; observações sobre o estado do mundo; registros de atividades ou transações; conjuntos de caracteres, números ou sinais; fatos objetivos registrados sem organização suficiente para transmitir significado.
Em todas elas aparece uma ideia central: dados representam fatos, mas ainda não foram interpretados.
Uma definição que reúne os principais elementos dessas abordagens é a seguinte:
Dados são representações simbólicas de fatos, objetos, eventos ou conceitos, registradas em seu estado bruto, cujo significado depende do contexto e do sistema de representação utilizado.
Se você guardou a definição anterior não é necessário decorar todas as definições a seguir, mas ela compila todas as definições que encontrei na literatura:
- Dados são medidas usadas como base para raciocínio, discussão ou cálculo;
- Dados são gravados (capturados e armazenados) usando símbolos e leituras de sinais.
- O principal objetivo dos dados é registar atividades ou situações, para tentar capturar a imagem verdadeira ou o evento real;
- Os dados são definidos como símbolos que representam propriedades de objetos, eventos e seu ambiente;
- Os dados são representações cujos significados dependem do sistema de representação (ou seja, símbolos, idioma) usado;
- Os dados são fornecidos por sequências simples de sinais e símbolos;
- Dado é qualquer fato sobre o mundo apresentado em sua forma bruta;
- Dados são entendidos como um fluxo de símbolos;
- Dados são entidades primitivas simbólicas;
- Dados são símbolos organizados de acordo com algoritmos estabelecidos;
- Dados são conjuntos de caracteres, símbolos, números e bits de áudio/vídeo representados e/ou encontrados no formato bruto;
- Dados são representação de fatos ou ideias de maneira formalizada;
- Dados são representações de fatos sobre o mundo;
- Dados é um conjunto único de símbolos que representam uma percepção de fatos brutos;
- Dados são correspondências de um atributo, característica ou propriedade que, sozinho, não tem significado;
- Dados são elementos brutos, sem significado, desvinculados da realidade;
- Dados são simples observações sobre o estado do mundo;
- Dados são um conjunto de fatos objetivos e discretos sobre eventos;
- Dados são a menor partícula estruturada que compõe uma informação;
- Dados são uma sequência de símbolos;
- Datum é a representação de conceitos ou outras entidades;
- Dados é um conjunto de símbolos quantificado e/ou qualificado;
- Dados são fatos que descrevem os objetos de informação, por exemplo, eventos e entidades;
- Dado é toda manifestação de caracteres (números, palavras e símbolos), sem uma organização lógica;
- Dados são elementos brutos, sem significado, desvinculados da realidade;
- Dados se referem a uma descrição elementar de coisas, eventos, atividades e transações que são registrados, classificados e armazenados, mas não são organizados para transmitir significados específicos;
1.1.5 Símbolos e Sinais
Dados são capturados e armazenados usando símbolos e leituras de sinais. Nessa definição precisamos conceituar símbolos e sinais:
- Símbolos são palavras, números, imagens etc. Ou seja, são blocos de construção da comunicação.
- Sinais incluem leituras sensórias de luz, som, cheiro, sabor, toque etc. Assim note que percebemos o mundo por meio de sinais e o representamos por meio de símbolos.
1.1.6 Representação de Dados
Até aqui estudamos o conceito de dado. Surge então uma pergunta natural: como os computadores armazenam esses dados?
Os dados podem representar pessoas, objetos, eventos, imagens, músicas ou textos. Atualmente, praticamente todo esse armazenamento ocorre em formato digital.
Chamamos de digitalização o processo de conversão de informações do mundo real para uma representação que possa ser manipulada por computadores. Quando essa conversão envolve sinais físicos, como luz ou som, ela também é conhecida como conversão analógico-digital.
Costuma-se dizer que os computadores entendem apenas zeros e uns. Na realidade, eles trabalham com dois estados físicos distintos, normalmente associados a diferentes níveis de tensão elétrica. Convencionamos representar esses estados pelos valores binários 0 e 1. Cada um desses dígitos recebe o nome de bit, abreviação de Binary Digit.
Todo arquivo armazenado em um computador é composto por bits. Fotos, músicas, vídeos, programas e documentos são, em última análise, longas sequências de zeros e uns. A diferença está na forma como esses bits são organizados e interpretados pelos programas.
1.1.7 Sistema Binário
Os computadores utilizam a base 2, enquanto nós utilizamos normalmente a base 10. Assim como no sistema decimal, o sistema binário também é posicional: o valor de cada dígito depende da posição que ocupa.
Ao realizar conversões entre decimal e binário utilizamos exatamente os mesmos princípios matemáticos empregados em qualquer sistema de numeração posicional.
As bases octal e hexadecimal também são muito utilizadas em Computação. A base octal possui oito símbolos e surgiu porque três bits correspondem exatamente a um dígito octal. Já a base hexadecimal utiliza dezesseis símbolos, sendo os valores de 10 a 15 representados pelas letras A até F. Ela é amplamente utilizada porque cada dígito hexadecimal corresponde exatamente a quatro bits, tornando muito mais simples representar longas sequências binárias.
1.1.8 Codificação de Caracteres
Além de representar números, os bits também podem representar letras, símbolos e caracteres especiais. Para isso são utilizadas tabelas de codificação.
O ASCII foi um dos primeiros padrões amplamente adotados, utilizando originalmente sete bits para representar 128 caracteres. Posteriormente surgiram diversas extensões conhecidas genericamente como ASCII estendido, normalmente utilizando oito bits para ampliar a quantidade de símbolos disponíveis.
Atualmente, o padrão predominante é o Unicode, que permite representar caracteres de praticamente todos os idiomas do mundo. O Unicode pode ser armazenado por diferentes codificações, como UTF-8, UTF-16 e UTF-32. Dentre elas, o UTF-8 tornou-se o padrão da Internet por manter compatibilidade com os caracteres ASCII e utilizar uma quantidade variável de bytes conforme o caractere representado.
1.1.9 Arquivos Texto e Arquivos Binários
Todo arquivo armazenado em um computador é composto por bits. Entretanto, chamamos de arquivo texto aquele cujo conteúdo segue uma codificação conhecida, como ASCII ou UTF-8, permitindo sua leitura direta por um editor de texto.
Já arquivos como DOCX, PDF, JPEG, MP3 ou executáveis possuem estruturas próprias definidas pelos respectivos formatos. Embora também sejam compostos por bits, sua interpretação depende das especificações do formato e do software capaz de abri-los.
1.1.10 Informação
Já vimos que a informação ocupa um nível acima dos dados na hierarquia DIKW. Entretanto, assim como ocorre com o conceito de dado, não existe uma definição única para informação. Dependendo do autor ou da área de conhecimento, pequenas variações podem ser encontradas.
Apesar dessas diferenças, praticamente todas as definições convergem para uma mesma ideia: a informação surge quando os dados são organizados, interpretados e contextualizados, passando a possuir significado para quem os recebe.
Na literatura, é comum encontrar definições como as seguintes:
- Informação é um conjunto de dados contextualizados que auxilia na tomada de decisão.
- Informação consiste em dados organizados, ordenados e dotados de significado.
- Informação é um conjunto de dados relevantes para um determinado propósito.
- Informação é uma mensagem que possui significado e utilidade para orientar decisões ou ações.
- Informação é o resultado do processamento dos dados.
- Informação reduz a incerteza sobre determinado assunto.
- Informação representa dados interpretados pelo destinatário, permitindo a elaboração de conclusões.
- Informação é um dado organizado de forma que faça sentido para o receptor.
Observe que, embora utilizem palavras diferentes, todas essas definições apresentam elementos em comum: contexto, significado, interpretação, relevância e utilidade.
Um aspecto importante é que a informação não depende apenas dos dados, mas também de quem a recebe. Um mesmo conjunto de dados pode ser extremamente útil para uma pessoa e completamente irrelevante para outra. Da mesma forma, um dado que possui significado em um determinado contexto pode perder completamente seu sentido quando analisado em outro.
Por exemplo, imagine a seguinte sequência de números:
38,2
Isoladamente, trata-se apenas de um dado. Entretanto, se informarmos que esse valor representa a temperatura corporal de um paciente, ele passa a constituir uma informação, indicando um quadro de febre. Já se dissermos que representa a temperatura ambiente de uma cidade, sua interpretação será completamente diferente. Observe que o dado permaneceu o mesmo; apenas o contexto foi alterado.
Outra definição bastante conhecida é a proposta por Russell Ackoff. Segundo o autor, a informação responde perguntas como:
- Quem?
- O quê?
- Quando?
- Onde?
- Quantos?
Perceba que essas perguntas acrescentam contexto aos dados, permitindo que eles passem a transmitir significado.
Definição proposta
Para facilitar sua memorização, podemos sintetizar as diversas definições da seguinte forma:
Informação é o resultado da organização, do processamento e da interpretação dos dados, atribuindo-lhes significado, relevância e contexto, de forma a reduzir a incerteza e apoiar a compreensão ou a tomada de decisão.
1.1.11 Conhecimento
Chegamos agora ao terceiro nível da hierarquia DIKW: o conhecimento.
No meio corporativo e em provas de TI, é muito comum que o conhecimento seja referido como Capital Intelectual. Esse termo reforça a ideia de que o saber humano é um ativo econômico valioso que pertence à organização, embora resida na mente dos colaboradores
Assim como ocorre com os conceitos de dado e informação, não existe uma definição única para conhecimento. Dependendo do autor, da área de estudo e do contexto em que o termo é utilizado, pequenas diferenças podem ser encontradas. Entretanto, a ideia central permanece praticamente a mesma.
De forma geral, o conhecimento nasce quando uma pessoa interpreta informações, relaciona-as com experiências anteriores, compreende seu significado e passa a utilizá-las para resolver problemas, tomar decisões ou executar determinada atividade.
Na literatura, podemos encontrar definições como as seguintes:
- Conhecimento consiste em informações organizadas e utilizadas para transmitir experiência e aprendizagem.
- Conhecimento representa a capacidade de compreender, agir e explicar determinado fenômeno.
- Conhecimento corresponde à informação aplicada na prática.
- Conhecimento é o resultado da interpretação das informações à luz da experiência acumulada.
- Conhecimento é uma propriedade das pessoas, construída por meio da experiência, da aprendizagem e da interação com o ambiente.
- Conhecimento fornece a base necessária para a tomada de decisões.
Observe que todas essas definições apresentam elementos em comum: experiência, compreensão, interpretação, aprendizagem e aplicação prática.
Um aspecto importante é que o conhecimento reside nas pessoas, e não nos computadores. Um sistema pode armazenar enormes quantidades de dados e informações, mas o conhecimento surge quando um indivíduo compreende essas informações, estabelece relações entre elas e é capaz de utilizá-las para atingir determinado objetivo.
Por exemplo, imagine que um hospital possua milhares de prontuários médicos armazenados em seu banco de dados. Esses registros representam dados. Após sua organização e análise, é possível gerar informações, como a taxa de incidência de determinada doença em cada faixa etária. Entretanto, é o médico quem utiliza essas informações, juntamente com sua experiência clínica e seu julgamento profissional, para diagnosticar um paciente e definir o tratamento mais adequado. Essa capacidade de interpretar e aplicar as informações caracteriza o conhecimento.
Outro ponto frequentemente destacado pelos autores é que o conhecimento não é estático. Cada nova experiência modifica aquilo que já sabemos, permitindo que novas informações sejam interpretadas de forma cada vez mais eficiente. Em outras palavras, o conhecimento é cumulativo, sendo continuamente ampliado pelo aprendizado.
Uma das definições mais conhecidas é apresentada por Davenport e Prusak, segundo os quais:
O conhecimento é uma mistura dinâmica de experiências, valores, informações contextualizadas e insights especializados, que fornece uma estrutura para avaliar e incorporar novas experiências e novas informações. Ele se origina e é aplicado na mente das pessoas e, nas organizações, costuma estar incorporado não apenas em documentos, mas também em rotinas, processos, práticas e normas.
Essa definição merece atenção por dois motivos. Primeiro, porque destaca que o conhecimento tem origem na mente das pessoas, reforçando seu caráter humano e subjetivo. Segundo, porque mostra que, embora seja produzido pelos indivíduos, ele pode ser compartilhado dentro das organizações por meio de documentos, procedimentos, treinamentos, normas e boas práticas. É justamente esse compartilhamento que constitui a base da Gestão do Conhecimento, tema que estudaremos mais adiante.
Definição proposta
Para facilitar sua memorização, podemos sintetizar as diversas definições da seguinte forma:
Conhecimento é o resultado da interpretação e da aplicação das informações, combinadas com experiência, aprendizagem, valores e contexto, permitindo compreender situações, resolver problemas e apoiar a tomada de decisões. Diferentemente dos dados e das informações, o conhecimento é uma propriedade das pessoas.
1.1.12 Conhecimento Tácito e Explícito
Até agora vimos que o conhecimento é uma propriedade das pessoas. Entretanto, nem todo conhecimento possui a mesma natureza. Alguns podem ser facilmente registrados e compartilhados, enquanto outros dependem da experiência individual e são muito mais difíceis de transmitir.
Por esse motivo, a literatura costuma classificar o conhecimento em dois grandes grupos: conhecimento explícito e conhecimento tácito.
Conhecimento explícito
O conhecimento explícito, também chamado de conhecimento codificado, é aquele que pode ser registrado, documentado e transmitido por meio de uma linguagem formal. Em outras palavras, trata-se do conhecimento que pode ser escrito, desenhado, gravado ou representado de alguma forma.
Por ser facilmente armazenado e compartilhado, esse tipo de conhecimento costuma estar presente em documentos, livros, normas, procedimentos, relatórios, equações matemáticas, manuais de operação e bases de conhecimento.
Por exemplo, uma receita de bolo, um manual de manutenção de um equipamento ou a partitura de uma música representam conhecimentos explícitos, pois qualquer pessoa pode consultá-los e aprender seu conteúdo.
Conhecimento tácito
O conhecimento tácito possui natureza diferente. Ele está associado à experiência, à prática, à intuição, às habilidades e aos modelos mentais desenvolvidos por cada indivíduo ao longo da vida.
Esse tipo de conhecimento é difícil de formalizar e transmitir, pois muitas vezes a própria pessoa não consegue explicar exatamente como realiza determinada atividade. Em geral, ele é adquirido pela prática contínua e pela vivência.
É justamente por esse motivo que o conhecimento tácito costuma ser associado ao conceito de know-how, expressão em inglês que pode ser traduzida como "saber fazer".
Imagine, por exemplo, um ciclista experiente. Ele consegue manter o equilíbrio naturalmente, mas dificilmente conseguiria explicar, em detalhes, todos os movimentos musculares e ajustes necessários para permanecer sobre a bicicleta. Da mesma forma, um músico de jazz consegue improvisar durante uma apresentação porque desenvolveu, ao longo de anos de prática, um conhecimento que vai muito além das regras escritas em uma partitura.
Esse conhecimento também está relacionado às crenças, valores, percepções, experiências e emoções de cada indivíduo, razão pela qual é considerado um ativo essencial nas organizações.
Comparando os dois tipos de conhecimento
A distinção entre conhecimento tácito e explícito foi popularizada por Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi, especialmente em seus estudos sobre Gestão do Conhecimento nas organizações. A tabela a seguir resume as principais características de cada tipo de conhecimento.
Conhecimento Explícito | Conhecimento Tácito |
Objetivo | Subjetivo |
Fácil de documentar | Difícil de documentar |
Fácil de compartilhar | Difícil de compartilhar |
Baseado em regras e teoria | Baseado em experiência e prática |
Registrado em documentos | Reside nas pessoas |
Exemplos: livros, normas, manuais, procedimentos | Exemplos: andar de bicicleta, dirigir, negociar, improvisar no jazz |
Após observar a tabela, percebemos que os dois tipos de conhecimento não são concorrentes, mas complementares. O conhecimento explícito permite registrar e disseminar aquilo que já foi aprendido, enquanto o conhecimento tácito representa a experiência acumulada pelas pessoas.
Nas organizações mais inovadoras, um dos maiores desafios consiste justamente em transformar parte do conhecimento tácito dos especialistas em conhecimento explícito, permitindo que ele
seja compartilhado com toda a equipe. Esse processo reduz a dependência de pessoas específicas, preserva o conhecimento organizacional e facilita o treinamento de novos colaboradores
1.1.13 Espiral do Conhecimento

Espiral do Conhecimento
Um dos modelos mais importantes da Gestão do Conhecimento foi proposto por Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi. Segundo os autores, o conhecimento organizacional não é estático. Pelo contrário, ele é continuamente criado e ampliado por meio da interação entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito. Esse processo ficou conhecido como Espiral do Conhecimento ou Modelo SECI, nome formado pelas iniciais das quatro etapas do modelo em inglês: Socialization, Externalization, Combination e Internalization.
A ideia central do modelo é que o conhecimento evolui continuamente. À medida que uma etapa é concluída, o conhecimento gerado alimenta um novo ciclo, formando uma espiral de aprendizagem e inovação dentro da organização.
Socialização (Tácito → Tácito)
A primeira etapa é a socialização. Nela, ocorre a transferência de conhecimento tácito entre indivíduos, sem que esse conhecimento seja formalizado.
Esse compartilhamento acontece principalmente por meio da convivência, da observação, da prática e da imitação. Um profissional experiente demonstra como executar determinada atividade, enquanto outra pessoa aprende acompanhando sua execução.
É o que acontece, por exemplo, quando um aprendiz acompanha um mestre artesão, um médico residente observa um cirurgião experiente durante uma cirurgia ou um novo funcionário aprende o trabalho acompanhando um colega mais experiente.
Nessa etapa, o conhecimento continua sendo tácito, apenas mudando de uma pessoa para outra.
Um exemplo clássico é o período de experiência de um novo funcionário que aprende a cultura da empresa apenas observando e conversando com veteranos no café.
Externalização (Tácito → Explícito)
Na etapa de externalização, o conhecimento tácito é transformado em conhecimento explícito.
Em outras palavras, aquilo que antes estava apenas na experiência das pessoas passa a ser registrado em documentos, procedimentos, diagramas, modelos, vídeos, manuais ou qualquer outra forma de representação.
Esse é um dos momentos mais importantes da Gestão do Conhecimento, pois permite que a experiência individual seja compartilhada com toda a organização.
Por exemplo, um técnico experiente pode escrever um manual descrevendo boas práticas adquiridas ao longo de vários anos de trabalho. Da mesma forma, um professor transforma sua experiência em apostilas, livros ou videoaulas.
Outras exemplo, ocorre quando um mestre de obras, que sabe tudo 'de cabeça', decide desenhar um esquema técnico para ensinar a equipe a fazer uma fundação específica.
Combinação (Explícito → Explícito)
A terceira etapa é denominada combinação.
Nessa fase, diferentes conhecimentos explícitos são reunidos, organizados, comparados e integrados para produzir novos conhecimentos explícitos.
É o caso da elaboração de um relatório gerencial que reúne informações provenientes de diversos setores da empresa, da construção de uma base de conhecimento corporativa ou da redação de um livro a partir da consulta de diversos artigos científicos.
Observe que, nessa etapa, não há criação direta de conhecimento tácito. O processo consiste na reorganização e integração de conhecimentos que já estavam documentados.
Um exemplo é a criação de um novo Regimento Interno que utiliza como base a Constituição Federal e o Código Civil; aqui, documentos existentes geram um novo documento.
Internalização (Explícito → Tácito)
A última etapa é a internalização.
Nesse momento, o conhecimento explícito é assimilado pelas pessoas por meio do estudo, da prática e da experiência, transformando-se novamente em conhecimento tácito.
Quando lemos um livro, fazemos um curso ou estudamos um manual, inicialmente estamos adquirindo conhecimento explícito. Entretanto, à medida que colocamos esse conteúdo em prática e desenvolvemos experiência, esse conhecimento passa a fazer parte de nossas habilidades pessoais.
É justamente nesse momento que ocorre o verdadeiro aprendizado.
Um outra exemplo acontece quando você, após ler este PDF várias vezes e fazer exercícios, consegue explicar o Modelo SECI naturalmente sem precisar olhar o papel.
O ciclo continua
Após a internalização, o indivíduo passa a possuir um novo conjunto de conhecimentos tácitos. Esses conhecimentos poderão ser compartilhados novamente com outras pessoas, reiniciando o processo de socialização e dando origem a um novo ciclo da espiral.
Perceba que o modelo de Nonaka e Takeuchi não representa um processo linear com início e fim definidos. Trata-se de um processo contínuo de criação e compartilhamento do conhecimento, no qual pessoas e organizações aprendem continuamente por meio da interação entre conhecimento tácito e explícito.
Resumo para memorizar
- Socialização: Tácito → Tácito (compartilhar experiências).
- Externalização: Tácito → Explícito (documentar o conhecimento).
- Combinação: Explícito → Explícito (integrar conhecimentos documentados).
- Internalização: Explícito → Tácito (aprender fazendo e adquirir experiência).
Essa sequência costuma ser bastante cobrada em concursos e é frequentemente referida pela sigla SECI (Socialization, Externalization, Combination e Internalization). Além de memorizar a ordem das etapas, é importante compreender a transformação que ocorre em cada uma delas, especialmente a passagem entre conhecimento tácito e conhecimento explícito.
1.1.14 Quadro de Davenport
Até aqui estudamos diversos conceitos de dado, informação e conhecimento. Como vimos, essas definições podem variar conforme o autor. Um dos pesquisadores mais influentes nessa área é Thomas Davenport, cuja classificação é frequentemente cobrada em concursos.
A tabela a seguir resume as principais características desses três conceitos.
Dado | Informação | Conhecimento |
Simples observações sobre o estado do mundo. | Dados dotados de relevância e propósito. | Informação valiosa da mente humana. Inclui reflexão, síntese e contexto. |
Facilmente estruturado. | Requer unidade de análise. | De difícil estruturação. |
Facilmente obtido por máquinas. Quantificado com frequência. | Exige consenso em relação ao significado. | De difícil captura em máquinas. |
Facilmente transferível. | Exige necessariamente a mediação humana. | Frequentemente tácito; de difícil transferência. |
Observe que Davenport organiza os conceitos destacando quatro aspectos: estruturação, captura, transferência e participação humana.
Os dados correspondem ao nível mais simples da hierarquia. Eles são facilmente estruturados, podem ser capturados automaticamente por sensores ou sistemas computacionais e são facilmente transferidos entre pessoas e computadores.
A informação representa um nível intermediário. Ela surge quando os dados recebem contexto e significado. Por isso, sua interpretação exige uma unidade de análise e, principalmente, um consenso quanto ao significado. Em outras palavras, diferentes pessoas precisam interpretar os dados da mesma forma para que eles realmente constituam uma informação útil. Além disso, a informação exige necessariamente a mediação humana.
O conhecimento ocupa o nível mais elevado dessa classificação. Ele incorpora reflexão, experiência, síntese e contexto, características que o tornam muito mais difícil de estruturar e capturar por sistemas computacionais. Como grande parte do conhecimento é tácita, sua transferência entre indivíduos também é mais complexa.
Perceba que essa classificação está em perfeita sintonia com a Hierarquia DIKW estudada anteriormente. À medida que avançamos de dado para informação e, posteriormente, para conhecimento, diminui a facilidade de automação e aumenta a necessidade de interpretação e experiência humana.
Uma observação importante para provas é a terceira linha da tabela. Davenport afirma que a informação "exige consenso em relação ao significado". Essa expressão aparece com frequência em questões objetivas e está diretamente associada ao conceito de informação, não ao de dado nem ao de conhecimento.
1.1.15 Sabeoria
A sabedoria ocupa o nível mais elevado da Hierarquia DIKW. É também o conceito mais abstrato e aquele que apresenta maior divergência entre os autores. Enquanto as definições de dado e informação costumam ser relativamente consensuais, a sabedoria envolve aspectos como experiência, julgamento, valores, ética e capacidade de tomar decisões, tornando sua conceituação mais complexa.
No modelo DIKW, a sabedoria representa a capacidade de utilizar o conhecimento para escolher o melhor curso de ação. Em outras palavras, não basta compreender um problema; é necessário saber como agir diante dele, considerando seus objetivos, o contexto e as possíveis consequências de cada decisão.
Enquanto o conhecimento responde à pergunta "como fazer?", a sabedoria procura responder "qual é a melhor decisão a ser tomada?".
Por esse motivo, a sabedoria exige uma visão ampla da situação. Ela integra conhecimentos provenientes de diferentes áreas, considera fatores técnicos, humanos e estratégicos e utiliza a experiência acumulada para realizar julgamentos e definir prioridades.
Imagine, por exemplo, dois médicos com o mesmo conhecimento técnico. Ambos são capazes de diagnosticar corretamente uma doença. Entretanto, um deles consegue avaliar o histórico do paciente, os riscos envolvidos, sua qualidade de vida e as alternativas de tratamento para tomar a decisão mais adequada. É justamente essa capacidade de julgamento que caracteriza a sabedoria.
Nas organizações ocorre situação semelhante. Um gestor pode possuir acesso às mesmas informações e ao mesmo conhecimento que outro gestor. Ainda assim, a qualidade das decisões pode ser completamente diferente, pois depende da experiência, do discernimento e da capacidade de avaliar o cenário como um todo.
Essa é também a razão pela qual a sabedoria permanece um grande desafio para a Inteligência Artificial. Embora os sistemas atuais consigam processar enormes volumes de dados e identificar padrões complexos, a tomada de decisões em situações inéditas, envolvendo valores, ética, incertezas e consequências de longo prazo, ainda depende fortemente do julgamento humano.
Definição proposta
Podemos sintetizar esse conceito da seguinte forma:
Sabedoria é a capacidade de aplicar o conhecimento com discernimento, experiência e julgamento para tomar decisões eficazes, considerando o contexto, os objetivos, os valores envolvidos e as consequências de cada ação.
1.1.16 Inteligência
Até aqui estudamos a Hierarquia DIKW (Data, Information, Knowledge and Wisdom), composta pelos níveis dados, informação, conhecimento e sabedoria. Entretanto, alguns autores propõem uma extensão desse modelo, acrescentando um novo nível denominado inteligência. Surge, assim, o modelo DIKIW (Data, Information, Knowledge, Intelligence and Wisdom).

Nesse modelo, a inteligência ocupa uma posição intermediária entre o conhecimento e a sabedoria. Enquanto o conhecimento consiste na compreensão de fatos, conceitos e relações, a inteligência representa a capacidade de utilizar esse conhecimento para analisar situações, realizar inferências, resolver problemas e apoiar a tomada de decisões.
Segundo James S. Albus, a inteligência envolve a capacidade de perceber o ambiente, interpretar informações, tomar decisões e controlar ações. Em níveis mais elevados, ela inclui a habilidade de reconhecer objetos e eventos, construir modelos do mundo, planejar ações futuras e adaptar-se a diferentes circunstâncias.
De forma semelhante, Longbing Cao define inteligência como a capacidade de adquirir, processar, interpretar e utilizar informações e conhecimentos para raciocinar, inferir, aprender e solucionar problemas. Para esse autor, a inteligência pode ser desenvolvida por meio do aprendizado e da experiência, podendo manifestar-se em diferentes níveis e domínios.
Em síntese, podemos definir inteligência da seguinte forma:
Inteligência é a capacidade de utilizar conhecimentos para interpretar situações, realizar inferências, resolver problemas e tomar decisões adequadas em determinado contexto.
Observe que a inteligência não corresponde apenas ao acúmulo de conhecimento. Ela pressupõe a capacidade de aplicar esse conhecimento de forma prática, escolhendo a melhor resposta para cada situação.
Inteligência e sabedoria
Embora alguns autores utilizem os termos como sinônimos, Longbing Cao faz uma distinção importante entre inteligência e sabedoria.
Para esse autor, a inteligência está relacionada ao processamento de informações, ao raciocínio e à solução de problemas.
Já a sabedoria representa um nível superior de compreensão. Ela envolve julgamento, discernimento e a capacidade de decidir o que deve ser feito, no momento adequado e pelos motivos corretos. Por esse motivo, a sabedoria está fortemente associada à experiência, aos valores e à reflexão.
Exemplo
Considere as seguintes informações sobre Sabrina.
- Sabrina tem 8 anos.
- Sabrina sempre obtém nota máxima na escola.
Essas afirmações representam informações, pois descrevem características de uma pessoa específica.
Além disso, sabemos que:
- Crianças de 8 anos normalmente frequentam o Ensino Fundamental.
- O bom desempenho escolar costuma estar associado à dedicação e à facilidade de aprendizagem.
Esses são exemplos de conhecimento, pois representam regras e relações construídas a partir da experiência e do estudo.
Com base nessas informações e conhecimentos, podemos inferir que:
- Sabrina provavelmente está cursando o Ensino Fundamental.
- Sabrina apresenta elevado desempenho escolar.
Essas conclusões representam o uso da inteligência, pois resultam da aplicação do conhecimento para produzir novas inferências.
Por fim, imagine que um professor, conhecendo o potencial da aluna, decida oferecer desafios adicionais para estimular seu desenvolvimento e evitar que ela perca o interesse pelos estudos. Essa decisão representa um exemplo de sabedoria, pois utiliza o conhecimento e a inteligência para escolher a ação mais adequada diante da situação.
DICA: Em português, memorize o acrônimo DICI: Para não errar a hierarquia na prova, lembre-se da sequência Dado (base bruta), Informação (contexto), Conhecimento (aprendizado) e Inteligência (aplicação estratégica). Algumas bancas trocam Inteligência por Sabedoria, formando o acrônimo DICS. |
1.1.17 Quantidade versus Qualidade da Informação

Nessa representação, os elementos são distribuídos em quatro níveis: dados, informação, conhecimento e inteligência. O objetivo da figura não é propor uma nova hierarquia da informação, mas ilustrar que, à medida que avançamos em direção ao topo da pirâmide, diminui a quantidade de elementos disponíveis e aumenta sua qualidade e seu valor para a tomada de decisões.
Segundo Urdaneta,
"O atributo da inteligência é mais de caráter qualitativo que quantitativo, uma vez que depende mais da qualidade da informação adquirida do que de sua quantidade, ao contrário dos dados, onde a quantidade de informação é mais importante que sua qualidade aparente." (URDANETA)
Observe que a inteligência aparece no topo da pirâmide por representar o nível de maior qualidade. Nesse estágio, o aspecto mais importante não é a quantidade de dados disponível, mas a capacidade de utilizar informações e conhecimentos relevantes para compreender situações e apoiar a tomada de decisões.
Na base da pirâmide encontram-se os dados, caracterizados pelo grande volume e pelo baixo nível de interpretação. Segundo Urdaneta, eles correspondem aos registros que representam fatos, conceitos ou instruções, podendo assumir diferentes formas, como números, textos, símbolos e sinais.
Um aspecto interessante da abordagem de Urdaneta é que ele considera os dados como uma forma elementar de informação, ou seja, informação em seu estágio mais básico, ainda sem contexto ou significado suficiente para apoiar decisões. Essa interpretação difere da adotada por autores como Ackoff e Davenport, que estabelecem uma distinção mais clara entre os conceitos de dado e informação.
Assim, a principal contribuição dessa representação não está na criação de uma nova hierarquia, mas em destacar que a quantidade tende a diminuir e a qualidade tende a aumentar à medida que avançamos dos dados para a inteligência. Em outras palavras, grandes volumes de dados possuem pouco valor isoladamente, enquanto pequenas quantidades de informações e conhecimentos relevantes podem produzir inteligência capaz de apoiar decisões de maior qualidade.
Lembre-se da regra de ouro: quanto mais subimos na pirâmide, mais 'refinado' o item se torna. O Dado é abundante e bruto (grande quantidade, baixa utilidade direta), enquanto a Inteligência é rara e refinada (baixa quantidade, altíssimo valor para decisões).
1.1.18 Definição de Longbing Cao
Segundo Longbing Cao, pesquisador da área de Ciência de Dados, a Hierarquia DIKW pode ser compreendida a partir dos diferentes tipos de conhecimento que cada nível representa.

A figura ilustra essa evolução, mostrando que, à medida que avançamos de dados para sabedoria, aumenta tanto o nível de inteligência quanto o nível cognitivo exigido.
De acordo com esse autor, os elementos da hierarquia podem ser definidos da seguinte forma:
a) Dado (Data)
Representa aspectos específicos de um objeto, evento ou assunto. Corresponde ao conhecimento mais elementar, associado ao know what specific ("saber um fato específico").
b) Informação (Information)
Descreve aquilo que é conhecido sobre determinado assunto. Corresponde ao know what ("saber o quê"), podendo incluir também know when ("saber quando"), know where ("saber onde"), know who ("saber quem") e outros conhecimentos descritivos.
c) Conhecimento (Knowledge)
Refere-se à compreensão das relações existentes entre as informações. Está associado ao know how ("saber como") e ao know why ("saber por quê"), permitindo explicar fenômenos, resolver problemas e aplicar o conhecimento na prática.
d) Sabedoria (Wisdom)
Representa o nível mais elevado da hierarquia. Está relacionada ao know best ("saber qual é a melhor alternativa"), isto é, à capacidade de utilizar o conhecimento para decidir como agir, quando agir e por que agir, considerando o contexto, os objetivos e as consequências das decisões.
Observe que a proposta de Longbing Cao enfatiza a evolução do conhecimento sob uma perspectiva cognitiva. Os dados representam conhecimentos específicos e isolados; a informação organiza e descreve esses dados; o conhecimento explica suas relações e aplicações; e a sabedoria permite escolher a melhor ação diante de uma determinada situação.
Essa abordagem complementa a Hierarquia DIKW tradicional ao associar cada nível a um tipo distinto de conhecimento (know what, know how, know why e know best), evidenciando a crescente capacidade de compreensão, raciocínio e tomada de decisão à medida que se avança na hierarquia.
2. Questões
01. (CESPE/Auditor/TCM-BA/2018) O diretor de uma montadora de veículos necessita tomar uma decisão acerca da continuidade ou não de um dos produtos vendidos no Brasil. Para tanto, solicitou um relatório sobre as vendas de carros da marca do último trimestre de 2018, por faixa de preço, região, modelo e cor.
Nessa situação, no contexto de análise da informação, o relatório representa:
a) conhecimento.
b) inteligência.
c) dados.
d) informação.
e) sabedoria.
Comentário
A palavra-chave da questão é "relatório". Um relatório resulta da organização, do processamento e da contextualização de dados, permitindo que eles sejam compreendidos e utilizados na tomada de decisão. Portanto, ele representa uma informação.
Analisando as alternativas:
a) Conhecimento é o resultado da assimilação da informação, combinada com experiências, valores, contexto e capacidade de interpretação, permitindo compreender fenômenos e resolver problemas.
b) Inteligência corresponde ao uso do conhecimento e das informações analisadas para apoiar a tomada de decisões e orientar ações estratégicas.
c) Dados são registros brutos de fatos, eventos ou observações, ainda sem processamento, contextualização ou interpretação.
d) Informação é o resultado do processamento, da organização e da interpretação dos dados, conferindo-lhes significado, relevância e utilidade para um determinado contexto. Como um relatório organiza e apresenta os dados de forma estruturada para subsidiar uma decisão, ele representa uma informação.
e) Sabedoria é a capacidade de utilizar o conhecimento e a experiência para tomar decisões acertadas e agir de forma adequada em diferentes situações.
Dica de prova: Nas questões do CEBRASPE, documentos como relatórios, gráficos, dashboards e indicadores normalmente representam informação, pois consistem em dados já processados e organizados para apoiar a tomada de decisão. O conhecimento e a sabedoria surgem em etapas posteriores da pirâmide DIKW.
Gabarito: Letra D
02. (CESPE/Analista/TCE-PE/2017)Acerca dos conceitos de dado, informação e conhecimento, julgue o item a seguir.
A informação caracteriza-se por ser frequentemente tácita, bem como por ser de estruturação e captura difíceis em máquinas.
Comentário
A assertiva está incorreta porque atribui à informação características que pertencem ao conhecimento.
O conhecimento pode ser classificado em dois grandes grupos:
a) Conhecimento explícito: é aquele que pode ser codificado, documentado e transmitido por meio de linguagem formal. Exemplos: livros, manuais, normas, procedimentos e equações.
b) Conhecimento tácito: é o conhecimento pessoal, adquirido pela experiência, prática e vivência. É de difícil formalização e compartilhamento, estando associado ao chamado know-how (saber fazer).
Observe que a questão afirma que a informação é frequentemente tácita e possui estruturação e captura difíceis em máquinas. Entretanto, essas são características típicas do conhecimento, especialmente do conhecimento tácito.
Além disso, a informação normalmente se apresenta de forma explícita, organizada e registrada em documentos, relatórios, gráficos, planilhas, dashboards e outros meios que permitem sua comunicação e processamento.
Essa distinção é reforçada por Davenport e Prusak, que apresentam um quadro comparativo entre dados, informação e conhecimento. Segundo os autores, o conhecimento é caracterizado, entre outros aspectos, por possuir estruturação difícil, captura difícil em máquinas, frequente natureza tácita e transferência complexa, ao contrário da informação, que é muito mais facilmente estruturada, armazenada e transmitida.
Portanto, a redação correta da assertiva seria:
O conhecimento caracteriza-se por ser frequentemente tácito, bem como por ser de estruturação e captura difíceis em máquinas.
Gabarito: Errado.
03. (CESPE/Analista/EMAP/2018) Julgue o próximo item, a respeito de gestão do conhecimento.
Em uma instituição, o conhecimento explícito está relacionado ao capital intangível.
Comentário
A assertiva está incorreta.
O erro da questão é associar diretamente o conhecimento explícito ao capital intangível.
O conhecimento explícito é aquele que foi codificado, documentado e formalizado, podendo ser registrado em manuais, normas, procedimentos, bancos de dados, relatórios e outros documentos. Por estar materializado em algum suporte, ele é facilmente armazenado, compartilhado e transmitido.
Já o conhecimento tácito é pessoal, baseado na experiência, nas habilidades e nas percepções dos indivíduos. Por ser de difícil formalização e transferência, é esse tipo de conhecimento que representa a principal dimensão intangível do capital intelectual de uma organização.
Embora o capital intelectual seja considerado um ativo intangível e englobe tanto conhecimentos explícitos quanto tácitos, em questões de prova a associação mais adequada é entre capital intangível e o conhecimento tácito, justamente por este não estar formalizado nem incorporado a um suporte físico.
Gabarito: Errado.
04. (CESPE/Analista/EMAP/2018) Julgue o próximo item, a respeito de gestão do conhecimento.
Na solução de problemas, o conhecimento tácito é associado ao conhecimento do expert.
Comentário
A assertiva está correta.
O conhecimento tácito é um conhecimento pessoal, adquirido por meio da experiência, da prática e da vivência. Por ser difícil de formalizar e transmitir, ele está intimamente relacionado às habilidades, à intuição e ao julgamento do indivíduo.
Por essa razão, o conhecimento tácito é frequentemente associado ao conhecimento do expert (especialista), que desenvolve ao longo dos anos um elevado nível de competência para resolver problemas, muitas vezes sem conseguir explicar detalhadamente todo o processo de raciocínio utilizado. Esse tipo de conhecimento é conhecido como know-how (saber fazer).
Em contraste, o conhecimento explícito é aquele que pode ser codificado e documentado em manuais, normas, procedimentos e outros registros formais, sendo mais fácil de compartilhar e armazenar.
Gabarito: Certo.
05. (CESPE/Analista/EMAP/2018) Julgue o próximo item, a respeito de gestão do conhecimento.
No que se refere à espiral do conhecimento, socialização, externalização, modelagem e feedback são os diferentes modos de conversão do conhecimento.
Comentário
O erro da questão está em afirmar que modelagem e feedback são modos de conversão do conhecimento. Na realidade, segundo o modelo SECI, de Nonaka e Takeuchi, os quatro modos de conversão do conhecimento são:
a) Socialização (tácito → tácito): ocorre pelo compartilhamento direto de experiências, por meio da observação, da imitação, da prática e da convivência. O conhecimento tácito de uma pessoa é transmitido para outra sem necessidade de formalização.
b) Externalização (tácito → explícito): consiste na transformação do conhecimento tácito em conhecimento explícito, por meio de documentos, modelos, conceitos, metáforas, diagramas ou procedimentos. É a etapa em que o conhecimento é formalizado.
c) Combinação (explícito → explícito): ocorre quando diferentes conhecimentos explícitos são organizados, integrados e sistematizados para gerar um novo conhecimento explícito. Exemplos incluem a elaboração de relatórios, manuais e bases de conhecimento a partir de diversas fontes.
d) Internalização (explícito → tácito): é o processo de incorporação do conhecimento explícito pelos indivíduos, geralmente por meio da leitura, do treinamento e, principalmente, da prática, transformando-o em experiência e know-how.
Portanto, os quatro modos de conversão do conhecimento são Socialização, Externalização, Combinação e Internalização (SECI). Como modelagem e feedback não fazem parte desse modelo, a assertiva está incorreta.
Gabarito: Errado.
06. (CESPE/Engenheiro/SUFRAMA/2014)
A gestão do conhecimento auxilia no planejamento das necessidades de materiais. Matsuo, autor da espiral do conhecimento, divide os modos de conversão do conhecimento em socialização, internalização, externalização e combinação.
Comentário
Embora os quatro modos de conversão do conhecimento estejam corretamente indicados — socialização, externalização, combinação e internalização (modelo SECI) —, a questão erra ao atribuir a autoria da espiral do conhecimento a Matsuo.
O modelo da Espiral do Conhecimento foi desenvolvido pelos pesquisadores japoneses Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi, sendo uma das principais referências da Gestão do Conhecimento. Segundo esse modelo, o conhecimento é continuamente convertido entre as formas tácita e explícita, por meio dos quatro processos de conversão:
- Socialização: tácito → tácito.
- Externalização: tácito → explícito.
- Combinação: explícito → explícito.
- Internalização: explícito → tácito.
Portanto, a assertiva está errada exclusivamente pela atribuição incorreta da autoria da espiral do conhecimento.
Gabarito: Errado.
07. (CESPE/Analista/TC-DF/2014)
Julgue o item que se segue, relativo à educação, treinamento e conhecimento.
O conhecimento tácito é fruto de aprendizado e experiência de vida e é disseminado de maneira formalizada e declarada por meio de artigos e livros.
Comentário
A assertiva está incorreta.
De fato, o conhecimento tácito é adquirido ao longo da experiência, da prática e do aprendizado individual. Trata-se de um conhecimento pessoal, associado às habilidades, percepções, intuições e ao know-how do indivíduo.
Entretanto, o erro da questão está em afirmar que esse conhecimento é disseminado de forma formalizada e declarada, por meio de artigos e livros. Essas são características do conhecimento explícito, que pode ser codificado, documentado e transmitido por linguagem formal.
Já o conhecimento tácito é de difícil formalização e compartilhamento, sendo normalmente transmitido por meio da convivência, da observação, da prática, da imitação e da interação entre as pessoas.
Portanto, a redação correta seria afirmar que o conhecimento explícito é disseminado de maneira formalizada por meio de livros, manuais, normas e artigos, enquanto o conhecimento tácito é predominantemente compartilhado pela experiência e pela interação humana.
Gabarito: Errado.
08. (CESPE/Analista/MPU/2013)
No que se refere à educação e ao treinamento, julgue o item que se segue.
Desejando externalizar o conhecimento tácito que determinado colaborador detenha sobre a elaboração de estudos técnicos, por exemplo, a organização deve documentar esse conhecimento de modo que seja possível a outros colaboradores reproduzi-lo facilmente. Nesse tipo de situação, observa-se a conversão do conhecimento tácito em explícito.
Comentário
A assertiva está correta.
A externalização é o processo de conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito, conforme o modelo SECI, de Nonaka e Takeuchi. Nessa etapa, o conhecimento pessoal, adquirido pela experiência e pela prática, é formalizado e registrado de modo que possa ser compartilhado com outras pessoas.
No exemplo da questão, o conhecimento tácito do colaborador sobre a elaboração de estudos técnicos é documentado, permitindo que outros colaboradores compreendam e reproduzam esse conhecimento. Portanto, ocorre exatamente o processo de externalização.
É importante não confundir os quatro modos de conversão do conhecimento:
- Socialização: tácito → tácito.
- Externalização: tácito → explícito.
- Combinação: explícito → explícito.
- Internalização: explícito → tácito.
Como a situação descreve a documentação de um conhecimento antes restrito ao colaborador, a conversão é de tácito para explícito.
Gabarito: Certo.
09. (CESPE/Analista/MPU/2013)
No que se refere à educação e ao treinamento, julgue o item que se segue.
Considerando-se a espiral do conhecimento, é correto afirmar que situações em que os colaboradores de uma organização convertem o conhecimento explícito em tácito correspondem à etapa denominada combinação.
Comentário
A assertiva está incorreta.
O erro da questão está em confundir dois modos de conversão do conhecimento previstos no modelo SECI, de Nonaka e Takeuchi.
A conversão de conhecimento explícito em conhecimento tácito corresponde à internalização. Esse processo ocorre quando o indivíduo assimila um conhecimento formal — presente em livros, manuais, normas ou treinamentos — e o incorpora à sua experiência e prática, transformando-o em know-how.
Já a combinação consiste na conversão de conhecimento explícito em conhecimento explícito, por meio da organização, integração e sistematização de conhecimentos já documentados, como ocorre na elaboração de relatórios, manuais ou bases de conhecimento.
Assim, os quatro modos de conversão do conhecimento são:
- Socialização: tácito → tácito.
- Externalização: tácito → explícito.
- Combinação: explícito → explícito.
- Internalização: explícito → tácito.
Como a assertiva descreve uma conversão de explícito para tácito, o modo correto é internalização, e não combinação.
Gabarito: Errado.
10. (CESPE/Analista/ANAC/2012)
No que se refere aos diferentes temas relacionados à gestão de pessoas, julgue o item que se segue.
Os modos de conversão do conhecimento tácito em explícito referem-se à socialização e à combinação.
Comentário
A assertiva está incorreta.
O erro da questão é afirmar que a conversão do conhecimento tácito em conhecimento explícito ocorre por meio da socialização e da combinação. De acordo com o modelo SECI, de Nonaka e Takeuchi, essa conversão ocorre exclusivamente na externalização.
Os quatro modos de conversão do conhecimento são:
- Socialização: tácito → tácito, por meio do compartilhamento de experiências, observação e prática.
- Externalização: tácito → explícito, quando o conhecimento é formalizado em documentos, modelos, conceitos ou procedimentos.
- Combinação: explícito → explícito, mediante a integração e reorganização de conhecimentos já documentados.
- Internalização: explícito → tácito, quando o conhecimento formal é assimilado e incorporado à experiência do indivíduo.
Assim, a assertiva erra ao atribuir à socialização e à combinação uma conversão que é característica da externalização.
Gabarito: Errado.
11. (CESPE/Auditor/TCU/2009)
A histórica adversidade obrigou as empresas japonesas a irem em busca de uma política de inovação contínua. O conhecimento organizacional é a capacidade que uma empresa tem de criar novo conhecimento, disseminá-lo por toda a organização e incorporá-lo a produtos, serviços e sistemas inovadores. Considerando essas informações e a gestão do conhecimento, julgue o item que se segue.
Os quatro processos importantes para conversão do conhecimento são: socialização, externalização, combinação e internalização.
Comentário
A assertiva está correta.
Segundo o modelo SECI, desenvolvido por Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi, a criação do conhecimento organizacional ocorre por meio da interação contínua entre o conhecimento tácito e o explícito, em um processo conhecido como Espiral do Conhecimento.
Esse modelo é composto por quatro modos de conversão do conhecimento:
- Socialização: conversão de conhecimento tácito em tácito, por meio da observação, da prática e do compartilhamento de experiências.
- Externalização: conversão de conhecimento tácito em explícito, quando experiências e conhecimentos são formalizados em documentos, modelos ou procedimentos.
- Combinação: conversão de conhecimento explícito em explícito, mediante a integração e reorganização de conhecimentos já documentados.
- Internalização: conversão de conhecimento explícito em tácito, quando o indivíduo assimila o conhecimento formal e o transforma em experiência e know-how.
Esses quatro processos compõem o modelo SECI, uma das teorias mais cobradas em provas de Gestão do Conhecimento.
Gabarito: Certo.
12. (CESPE/Auditor/TCU/2009)
A histórica adversidade obrigou as empresas japonesas a irem em busca de uma política de inovação contínua. O conhecimento organizacional é a capacidade que uma empresa tem de criar novo conhecimento, disseminá-lo por toda a organização e incorporá-lo a produtos, serviços e sistemas inovadores. Considerando essas informações e a gestão do conhecimento, julgue o item que se segue.
Um exemplo de processo de externalização é reaprender a experiência de outros integrantes.
Comentário
A assertiva está incorreta.
O erro da questão é confundir os processos de socialização e externalização, previstos no modelo SECI, de Nonaka e Takeuchi.
Quando um indivíduo aprende a partir da experiência de outro, por meio da observação, da convivência, da prática ou da imitação, ocorre a conversão de conhecimento tácito em conhecimento tácito, processo denominado socialização.
Já a externalização consiste na conversão de conhecimento tácito em conhecimento explícito, quando experiências, habilidades e percepções são formalizadas em documentos, manuais, procedimentos, modelos ou outros registros que permitam seu compartilhamento.
Portanto, reaprender a experiência de outros integrantes caracteriza um processo de socialização, e não de externalização.
Gabarito: Errado.
13. (CESPE/Especialista/ANAC/2009)
Julgue o item subsequente, referente à gestão do conhecimento organizacional.
O modo de conversão do conhecimento explícito para o conhecimento tácito é chamado de combinação.
Comentário
A assertiva está incorreta.
O erro da questão é atribuir à combinação uma conversão que, na realidade, corresponde à internalização.
Segundo o modelo SECI, de Nonaka e Takeuchi, a conversão de conhecimento explícito em conhecimento tácito recebe o nome de internalização. Esse processo ocorre quando o indivíduo absorve conhecimentos registrados em livros, manuais, normas ou treinamentos e os incorpora à sua prática, transformando-os em experiência e know-how.
Por sua vez, a combinação consiste na conversão de conhecimento explícito em conhecimento explícito, por meio da organização, integração e sistematização de conhecimentos já documentados.
Para memorizar os quatro modos de conversão:
- Socialização: tácito → tácito.
- Externalização: tácito → explícito.
- Combinação: explícito → explícito.
- Internalização: explícito → tácito.
Como a assertiva descreve a conversão de explícito para tácito, o modo correto é internalização, e não combinação.
Gabarito: Errado.
14. (CESPE/Especialista/ANAC/2009)
Julgue o item subsequente, referente à gestão do conhecimento organizacional.
O conhecimento tácito é aquele que se encontra nos manuais da organização.
Comentário
A assertiva está incorreta.
O conhecimento tácito é um conhecimento pessoal, adquirido por meio da experiência, da prática e da vivência. Por sua natureza, é difícil de formalizar, documentar e transmitir, estando associado às habilidades, percepções, intuições e ao know-how dos indivíduos.
Já os manuais da organização contêm conhecimento explícito, ou seja, conhecimento que foi codificado, documentado e registrado em linguagem formal, podendo ser facilmente armazenado, compartilhado e consultado por outras pessoas.
Assim, ao afirmar que o conhecimento tácito se encontra nos manuais da organização, a questão confunde os conceitos de conhecimento tácito e conhecimento explícito.
Gabarito: Errado.
15. (CESPE/Consultor Técnico Legislativo/CLDF/2006)
Conforme o século chegava ao fim, o mundo ficava cada vez menor. O público rapidamente obtinha acesso a tecnologias de comunicação novas e muito mais rápidas. Os empreendedores (...) construíam vastos impérios. O governo passou a exigir que os novos monopólios se tornassem responsáveis à luz das leis antitruste. Poderia ser essa uma descrição da indústria de tecnologia da informação de hoje, da emergência da rede global e das acusações antitruste feitas contra grandes corporações mundiais na década passada. Contudo, o texto refere-se ao surgimento das redes telefônicas nos Estados Unidos da América, há mais de 100 anos.
Louise Kehoe. Financial Times, 13/10/1998. In: Marchand D.A. e Davenport T. H.
A partir do texto acima e acerca da gestão da informação, julgue o item seguinte.
Em linhas gerais, as informações derivam dos dados e o conhecimento, das informações; assim, uma das funções da gestão da informação é a conversão de dados puros em informações, por meio da introdução de características de interpretação humana.
Comentário
A assertiva está correta.
De forma geral, a literatura sobre Gestão da Informação e Gestão do Conhecimento estabelece uma relação hierárquica entre dados, informação e conhecimento.
Os dados são registros brutos de fatos ou eventos, ainda sem contexto ou interpretação. Quando esses dados são organizados, processados e contextualizados, passam a adquirir significado, transformando-se em informação.
Por sua vez, o conhecimento resulta da assimilação e interpretação da informação, combinada com a experiência, o contexto e a capacidade de julgamento do indivíduo, permitindo a tomada de decisões e a resolução de problemas.
Nesse contexto, uma das funções da gestão da informação é justamente transformar dados em informações úteis, agregando contexto, relevância e significado por meio da interpretação humana e dos processos organizacionais.
A sequência conceitual mais cobrada em provas é:
- Dados: registros brutos.
- Informação: dados processados, organizados e contextualizados.
- Conhecimento: informação assimilada e aplicada com base na experiência.
A assertiva descreve corretamente essa transformação.
Gabarito: Certo.
16. (CESPE/Consultor/CLDF/2006)

Considerando a figura acima, que apresenta um relacionamento comumente estabelecido entre os conceitos de dados, informação e conhecimento, julgue o item subsequente, acerca das concepções de modelagem de dados, informação e conhecimento, ecologia da informação, fundamentos de estratégia e planejamento estratégico, bem como de propostas de gestão empreendedora.
A decisão e a ação dependem em maior escala da existência de dados e informações do que da formação de redes de conhecimento tácito e explícito.
Comentário
A assertiva está incorreta.
O erro da questão é atribuir maior importância aos dados e às informações do que ao conhecimento no processo de tomada de decisão.
Os dados são registros brutos de fatos. Após serem organizados, contextualizados e interpretados, transformam-se em informações. Entretanto, é o conhecimento — construído a partir da assimilação da informação, da experiência, do contexto e da capacidade de julgamento — que permite compreender situações, avaliar alternativas e orientar a tomada de decisões.
Assim, decisões e ações organizacionais dependem principalmente da aplicação do conhecimento, especialmente da integração entre o conhecimento explícito (documentado) e o conhecimento tácito (experiência, habilidades e know-how dos indivíduos).
Essa ideia é representada pela pirâmide Dados → Informação → Conhecimento, na qual cada nível agrega maior valor ao anterior. Embora dados e informações sejam essenciais, eles, por si só, não conduzem à ação. É o conhecimento que transforma a informação em decisões eficazes.
Gabarito: Errado.
Referências
ACKOFF, Russell L. From Data to Wisdom. Journal of Applied Systems Analysis, v. 16, p. 3-9, 1989.
CAO, Longbing. Data Science Thinking: The Next Scientific, Technological and Economic Revolution. Cham: Springer, 2018.
CAO, Longbing. Actionable Knowledge Discovery and Delivery. Wiley Interdisciplinary Reviews: Data Mining and Knowledge Discovery, v. 2, n. 2, p. 149-163, 2012.
DAVENPORT, Thomas H.; PRUSAK, Laurence. Conhecimento empresarial: como as organizações gerenciam o seu capital intelectual. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
NONAKA, Ikujiro; TAKEUCHI, Hirotaka. Criação de conhecimento na empresa. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
ROWLEY, Jennifer. The Wisdom Hierarchy: Representations of the DIKW Hierarchy. Journal of Information Science, v. 33, n. 2, p. 163-180, 2007.
URDANETA, Fernando Paéz. Gestión de la inteligencia, aprendizaje tecnológico y modernización del trabajo informacional: retos y oportunidades. Caracas: Instituto de Estudios del Conocimiento, Universidad Simón Bolívar, 1992.
SUGANUMA, Simone. Qualidade da informação: uma construção metodológica de definição do conceito. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação). Universidade de Brasília, Brasília, 2005.